<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992</id><updated>2011-06-08T07:20:49.530+01:00</updated><title type='text'>Encontros Nocturnos</title><subtitle type='html'>Dois juntos na noite</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111763854552496383</id><published>2005-06-01T15:35:00.000+01:00</published><updated>2005-06-02T14:45:27.076+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Acordo mais cedo e visto-me apressado. O dia clareia lá fora enquanto visto as minhas roupas de pupilo. Saio do quarto e vou directamente à cozinha para almoçar. Josefa serve-me o sempre especial pequeno almoço quando estou sozinho, como se a maoir quantidade de comida me fizesse companhia. Agarro os livros e saio em direcção à casa do Professor Guerra. Atravesso ruas cheias de gente inútil atarefadas nas suas míseras vidas. Chego à imponente morada do meu tutor e habilmente abro o portão e sigo sem fazer barulho à porta. Bato ao de leve para o caso de ele ainda estar a dormir. Amanda prontamente me abre a porta enquanto limpa as mãos ao pano que sempre traz à cinta. &lt;br /&gt;-O Senhor Professor ainda não se levantou, nem sei se lhe dará lição hoje.- a minha desilusão torna-se bem clara na minha cara e a velha empregada sentindo-o prontamente me consoloa-Mas ele ha-de vir não se preocupe, quer que lhe leve alguma coisa para comer à sala?&lt;br /&gt;-Obrigado, Amanda. Eu já almocei, vou me preparando para a lição.&lt;br /&gt;Ela sai então para a cozinha e eu habituado à casa sigo em silêncio para o escritório. O cheiro à madeira caracteristico das estantes invade-me as narinas e acalma-me ao dar-me um sentido de segurança. Sento-me na mesa que praticamente me pertence e rapidamente abro as gastas sebentas procurando o que deixei inacabado. Deixo a mão correr resolvendo o que não vejo porque a minha mente divaga ainda. &lt;br /&gt;Ontem ´quando voltei fui ter com meu pai na esperança de conseguir alguma informação. Ofereço-me várias vezes para o ajudar e ele dá-me funções vãs e futis mas que me dão um sentido de responsabilidade. Mas ontem tratou-me como a criança que ainda sou despachando-me visivelmente irritado. A causa de tudo isso sabia-a eu be, o que ainda me deixou mais frustrado e irritado. Agora mais que nunca sentia que tinha que descobrir o propósito das visitas do Sr.Miguel. Nunca o suportei pelo efeito que sempre tinha sobre os meus pais. A seguir às suas visitas tanto o meu pai como a minha mãe ficavam visivelmente afectados mas nunca me foi explicado o porquê. Nem o porquê das suas inoportunas visitas ou porque lhe era permitida a entrada na minha casa. E a minha ignorância trazia a sempre uma frustração inerente por não poder controlar ou sequer ajudar. &lt;br /&gt;O barulho da porta a abrir trouxe-me de volta à casa do Professor Guerra levantando-me à medida que me virava em direcção à porta. Ao ver o meu tutor desejei não me ter levantado. Trazia uma cara desagradável muito pior à que o estalajadeiro deixava em minha casa.&lt;br /&gt;Remoeu um «Bom dia» tentando abrir a sua fechada expressão num sorriso muito pouco convincente.Sentou-se à secretária visivelmente atrapalhado ao tentar acordar de um sonho muito pouco agradável.Quando finalmente ganhou balanço suficiente lançou-se sobre mim tentando de uma forma paciente ensinar-me.&lt;br /&gt;Saí mas cedo ainda preocupado com a condição do Professor, e mesmo depois da desculpa que Amanda me deu de que o Professor chegara bastante tarde e muito cansado na noite anterior. À medida que caminhava para casa pensava numa forma descobrir as coisas estranhas que se passavam. Não o podia afirmar com a minima certeza mas achava que o estalajadeiro tinha algo a ver com a disposição do Professor. Ainda havia de descobrir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111763854552496383?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111763854552496383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111763854552496383' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111763854552496383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111763854552496383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/06/acordo-mais-cedo-e-visto-me-apressado.html' title=''/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111689090015872324</id><published>2005-05-23T23:47:00.000+01:00</published><updated>2005-05-25T20:14:55.340+01:00</updated><title type='text'>Ele II</title><content type='html'>Olho o mundo lá fora. Escondo-me em frente à janela com a cortina a cobrir-me as costas para que ninguém me veja. Como se alguem me visse. Espero impacientemente que a noite caia. No pequeno espaço que serve de aconchego à janela deambulo para trás e para a frente com o nervosismo. Vão-me surgindo memórias foscas da noite de ontem. Mal consigo já voltar a reconstruí-las. Estão gastas e puidas de tanto uso lhes dar. E no entanto só foi ontem. Ontem ou hoje? O que importa? A distância na minha cabeça é enorme, nem em horas a consigo medir, nem em milhas. Nada.&lt;br /&gt;De quase nada me recordo. O vulto negro, as mãos de madre-pérola, a voz doce e terna, o cabelo carregado a voar ao vento, um vento frio que ainda e gela a cara.&lt;br /&gt;Ouço Amanda chamar-me para o jantar. Desço as escadas e sento-me na demasiado longa mesa e sinto o frio da solidão cair sobre mim. Duas velas criam cúpulas amarelas nas pesadas cortinas negras que a meu mando impedem a cinzenta luz melancólica de entrar. Faço sangrar a garrafa para o meu solitário copo enquanto espero a chegada do jantar. O vinho vai-me rodando no copo esperando a morte lenta da minha boca.&lt;br /&gt;Chega o jantar e como no silêncio de sempre. O jantar sabe-me bem, como a um condenado prestes a ser enforcado, mas no meu caso é o oposto. A ansiedade de algo bom transforma a refeição no acto agradável que não o é a muitos anos.&lt;br /&gt;Mal Amanda acaba de retirar a mesa corro a meu quarto para me preparar. Visto-me com detalhe e procuro a mais pequena falha que desarmonize o conjunto. Olho o espelho e esforço-me por fazer sair de lá uma imagem agradável. Espero que o consiga fazer diante dela.&lt;br /&gt;Desta vez desço elegantemente as escadas tentando parecer o que me devia ser intrínseco. Olho o pêndulo e seguidamente o relógio.-Sete e meia murmuro baixinho para a caixa de vidro que guarda o tempo.&lt;br /&gt;Mando Amanda chamar o cocheiro. A ansiedade é tanta que indo a pé corria o risco de desatar a correr a meio do caminho. Opto pela via mais sensata e discreta ao mesmo tempo.Ouço os cavalos lá fora e saio ponderadamente.&lt;br /&gt;-Boa noite senhor. Como está esta noite?&lt;br /&gt;- Estou muito bem Recta. - A excitação do cocheiro é bem patente e derivada ao facto de eu raramente fazer uso dele. Não por não simpatizar com ele porque é meu amigo desde miúdo altura em que me costumava contar como o seu pai ganhou o nome Recta por ser o único cocheiro que enjoava, e por isso só gostava de rectas, mas nunca gostei de fazer publicidade à minha riqueza porque nunca gostei dela.&lt;br /&gt;Entro rapidamente dizendo o destino ao velho cocheiro. Enquanto atravessamos a vila ainda no crepúsculo tento esvaziar a mente e não parecer demasiado ansioso. Não sei se a espera vai ser grande ou sequer recompensada.Saio e despeço-me com um aceno. Caminho pesadamente tentado fingir aquele ar superior tão característico da minha posição social.&lt;br /&gt;Com a preocupação nem reparo quando chego ao rio. Sento-me no banco frio e vou olhando o negrume dos sapatos que trago calçados. Hoje não comtemplo o rio, seria desrespeita-lo com um olhar apagado e encher a sua superfície com preocupações sem sentido.&lt;br /&gt;Como uma repetição da noite passada ouço o rumor que se transformam em passos que esmagam o cascalho. Mas desta vez o ritmo ficou muito mais rápido. Olho para a sua fonte e vejo uma sombra delineada pela luz amarela do candeeiro que ilumina a entrada da rua. Tento ver um rosto ou delinear uma face mas tudo não passa de negro.&lt;br /&gt;Enquanto espero que a imagem fique nítida penso apressadamente no que dizer caso seja ela. É ela. Veio ao meu encontro, tal como eu não esqueceu o nosso encontro de ontem. Ainda sentado acompanho a sua trajectória com os olhos esperando pacientemente que cruze a linha da luminusidade. Mas no limiar da escuridão vejo-a desaparecer numa queda brusca.&lt;br /&gt;- Está bem? Peço imensa desculpa. Deixe-me ajuda-la a levantar-se.&lt;br /&gt;Ela afasta-se nitidamente tentando não ferir mais o seu orgulho.&lt;br /&gt;- Calculo que sim, fui uma queda feia. A sua sorte é que estava mesmo a passar por aqui. Reparei que ia com pressa. -digo eu tentando mostrar que o seu orgulho permanece imaculado.&lt;br /&gt;Ela levanta-se e olha-me. Lembro-me de novo quem esperava. A cara que se me afigura é de uma beleza imensa e desejo que seja Beatriz, mas a minha malfadada experiência grita-me aos ouvidos que não é ela.&lt;br /&gt;É demasiado bonita, demasiado interessante para vaguear à noite procurando companhia. Mulheres destas estalam os dedos e caem-lhes centenas de pretendentes aos pés. Não consigo disfarçar a minha desilusão e a reacção não tarda em chegar.&lt;br /&gt;- Obrigado por tudo. Eu estou bem. Foi gentil de sua parte, mas tenho de ir agora.&lt;br /&gt;Já não me olha, corre agora para longe O vento vem e vejo o negro dos cabelos a esvoaçar apressados. Nesse momento um raio atinge-me deixando o meu corpo em plena agitação. Imediatamente grito desesperado.&lt;br /&gt;-Beatriz!&lt;br /&gt;Por momentos penso que me enganei porque ela continua a andar, mas instantes depois estaca ainda virada para a frente. Fico como que em choque parado à espera de uma reacção.&lt;br /&gt;Começo a andar na direcção dela, ela vira-se para mim e segurando-lhe a mão sem pensar despejo-lhe à face o que me vai na boca.&lt;br /&gt;- Eu sabia que eras tu. Desde ontem que não consigo pensar em outra coisa. Por muito que me esforce só consigo trazer a memória instantes da noite de ontem. Por favor, deixa-me acompanhar-te até casa.&lt;br /&gt;Não me responde, vejo uma faca a aproximar-se perigosamente do meu coração. Mas sem medo continuo a olhá-la no âmago.&lt;br /&gt;A faca acaba por perfurar largando um "Desculpe-me" à medida que vai cortando a pele.&lt;br /&gt;Ela deixa-me a sangrar e larga a correr sem me olhar. Desta vez não estou disposto  a esperar. Cambaleando e sangrando do meu coração corro atrás dela, ela nem olha paratrás se calhar com medo, mas tudo o que eu quero é não a perder de vista. Corro mas ela leva-me já um avanço. Até que no dobrar de uma esquina a vejo entrar para uma casa, o que eu não contava era que fosse aquela casa.&lt;br /&gt;Depois de ter passado algum tempo em frente ao edificio deixei-me levar pelo impulso. Entrei. Ainda vejo a Beatriz mas ela mais uma vez foge, desta vez para dentro da cozinha.  Parecia surpreendida, eu não. Não estou surpreendido, estou em choque. Assim como ela viro-me e fujo, no preciso momento em que a cara gorda do estalajadeiro se sorri para mim. Corro, subo as ruas sem me cansar até chegar a casa. Entro e encosto-me à porta. Deixo-me escorregar enquanto me sento tentando respirar de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111689090015872324?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111689090015872324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111689090015872324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111689090015872324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111689090015872324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/05/ele-ii.html' title='Ele II'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111680053923629590</id><published>2005-05-22T23:19:00.000+01:00</published><updated>2005-05-22T23:35:15.640+01:00</updated><title type='text'>Ela II</title><content type='html'>Baixei a cabeça, como sempre fazia em situações destas, e numa sucessão de acenos temporalmente bem espaçados, fui dizendo “Sim padrinho” até ele se calar. Admito que desta vez abusei um pouco e pensava, honestamente, que teria de ir embora devido à minha fuga. Afinal foi bem mais simples que isso. Já com os cantos da boca cheios de saliva, e com a cara tão vermelha que parecia que ia explodir, ali estava ele, o padrinho, a dizer-me que, como castigo, ia ter de ajudar a Julieta na cozinha até segundas ordens. Muito bem, dirigi-me para a cozinha e dei um beijo barulhento na face da velha Julieta.&lt;br /&gt;- Adivinha quem te vai ajudar aqui nos próximos tempos ? , disse-lhe eu enquanto ía roubando um pedaço de bolo que tinha acabado de sair do forno.&lt;br /&gt;- Olha lá Clarita, ainda vais ficar doente e depois não  te venhas cá queixar. Uma pessoa para me ajudar? Quem? Se for o Zé das Caldas avisa já o teu padrinho que não o quero cá. Da ultima vez que entrou na minha cozinha. Nem quero pensar, nem quero pensar... &lt;br /&gt;- Não Julietita. &lt;br /&gt;Brinquei eu com ela, brinco sempre pelo facto de ela me chamar Clarita. É a única pessoa que o faz e eu gosto. Alias tenho tamanha estima pela Julieta que seria impossível descrever. É como uma mãe para mim. &lt;br /&gt;- Sou eu!&lt;br /&gt;- Tu?!? Que fizeste agora? Aí meu Jesus, mas onde tens tu a cabeça. Sabes bem que o Sr. Miguel anda a ter muita paciência para contigo. Tem cuidado filha, toma atenção à vida. Aí meu Jesusito!&lt;br /&gt;- Tem calma Julieta. Vai correr tudo bem. Corre sempre tudo bem, independentemente de como corra.&lt;br /&gt;Disse-lhe eu a rir.&lt;br /&gt;- Diz lá. Por onde começo?&lt;br /&gt;- Olha filha, primeiro arruma o que compraste no mercado e depois quero que me faças um favor. A D. Adelaide pediu-me para lhe fazer uns bolinhos de laranja. Eu fi-los e agora há poucos dias pediu mais. Quero que lhos vás entregar, mas sem o Sr. Miguel saber.&lt;br /&gt;- Então? &lt;br /&gt;Desconfiei. A Julieta não era assim. Apesar de tudo fazer para ajudar todas as raparigas da estalagem, era sempre muito fiel ao Padrinho. Alias, há quem diga que foram apaixonados no passado e daí o facto dela trabalhar para ele há tanto tempo. Mas agora, pedir-me para fazer algo tão inocente de forma secreta fez-me estranhar.&lt;br /&gt;- Sabes - disse-me ela – é que a D. Adelaide paga pelos bolinhos. E se isto se fica a saber, tenho medo de me mandarem embora, entendes? &lt;br /&gt;- Entendo. Mas mesmo assim acho estranho. Já tentaste falar com o Padrinh... – fui interrompida antes de terminar a frase.&lt;br /&gt;- Olha, se não queres ir diz-me logo, mas não me faças perder mais tempo, esta bem?&lt;br /&gt;- Tem calma Julietita. Eu vou, claro que vou. Por ti faço tudo. &lt;br /&gt;Dei-lhe um beliscão, ela resmungou e eu comecei a arrumar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era fim de tarde quando sai da estalagem. Tive de inventar uma desculpa, com a ajuda da Julieta, para pedir ao padrinho que me deixasse ir quando os fregueses começavam a chegar. Enfim, depois de muitos por favores e de lhe explicarmos que a minha ausência seria por pouco tempo, fui a cozinha buscar os bolos e sai.&lt;br /&gt; Gostava muito de andar a esta hora pelas ruas. Quando o sol ainda está presente, num amarelo intenso e nos aquece pela ultima vez. Quando a lua começa a nascer, e o vento passa perto, soprando, em pequenas rajadas dissimuladas, frases de arrepiar. Gosto do frio. É muito mais solitário que o calor. É muito mais parecido comigo. Resolvi ir pelo caminho mais longo. Quero aproveitar bem o momento. Fui andando para o Jardim. No coreto alguns meninos brincavam em alegres correrias. Ainda estavam algumas pessoas a passear. Senhoras sentadas em bancos com poses muito direitas e estáticas, falavam baixinho entre si. Os Homens, mais alem, discutiam política e os mais velhos fumavam cachimbo. A medida que fui passando as senhoras interromperam a conversa e olharam para mim. Sabiam quem eu era e eu sabia que elas não me aprovavam. Para elas eu era como o vento. Não é desejado e se não existir, melhor ainda, pois pode estragar o penteado. Neste caso, a pose de senhoras de família. Digo isto porque alguns dos excelentíssimos esposos destas Senhoras tão finas já me conheciam mais intimamente. Não liguei aos olhares e aos comentários que, suavemente se podiam ouvir. Continuei a andar. &lt;br /&gt;Cheguei a casa da D. Adelaide. Era uma mulher simples e simpática. Dava passinhos pequenos quando andava, era gordinha e muito baixa. Todo aquele quadro, apesar de ser feito de extremos físicos, dava origem a um ser extremamente acolhedor e engraçado. Ela era viuva, não era muito afortunada como outrora tinha sido, mas vivia feliz e apesar de tudo, tinha conseguido manter amizades fortes entre algumas Senhoras da alta sociedade que ainda lhe atribuíam um estatuto de Senhora fina.  &lt;br /&gt;- Boas tardes D. Adelaide. Aqui tem os bolinhos que encomendou a Julieta. &lt;br /&gt;- Olá Clara. Aí que já nem me lembrava deles, mas deixa ver. Sim senhor, têm bom aspecto, disso não há duvidas.&lt;br /&gt;Enquanto dizia isto, pegou num bolinho e começou a trinca-lo.&lt;br /&gt;- Humm...que delicia. Que mãos divinas tem a nossa amiga Julieta. Oh, mas sentai-vos. Peço desculpa pela confusão mas o meu filho Daniel chegou ontem a tarde de viagem. Veio da capital, onde se formou advogado. É a luz dos meus olhos. Aí... Mas esperai aí um instante que vou buscar a paga pelos bolinhos.    &lt;br /&gt;Voltou instantes depois. Despedimo-nos enquanto ela ia continuando a dar dentadas no bolinho e sai deixando atras das costas um “ Até um dia destes” que me saiu espontaneamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a porta da casa da D. Adelaide se fechou, reparei que já tinha escurecido e que as ruas estavam agora muito mais vazias. Comecei a andar. Sentia-me tão livre. Tão curiosamente feliz. Fui andando com um sorriso colado a cara. Daqueles verdadeiros e que não se podem evitar. Daqueles que surgem quando vou na rua e uma criança se vem meter comigo. Nessas alturas, e mesmo que não haja razão para um pingo de alegria, começo a sorrir e fico leve, inconscientemente leve. Gosto desses momentos que cada vez, com menos frequência, vão surgindo. Alturas em que vivo tão violentamente que chego a asfixiar-me. Alturas em que uma força maior do que eu nasce dentro de mim e me faz agir, mexer e sentir intensamente. Faz-me querer mudar. Faz-me querer viver mais, muito mais, cada dia e cada instante como se não houvesse amanha. Era assim que me sentia agora. A Julieta costuma dizer que isto passa com a idade e que chega a uma altura que já não queres fazer mais e melhor. Limitas-te a querer fazer e ficas contente por isso. Eu não vou ser assim. Sinto-o cá dentro que comigo vai ser diferente. O sino da igreja toca. Sete badaladas!! Meu Deus, o Padrinho Miguel vai esfolar-me viva. Começo a correr pelo caminho escurecido que tenho a minha frente, mas desta vez corto caminho e vou pela rua do Rio.&lt;br /&gt; Corro tão depressa que só me apercebo do que se passa quando embato com a cara no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está bem? Peço imensa desculpa. Deixe-me ajuda-la a levantar-se.&lt;br /&gt;- Não. Está tudo bem, só estou um pouco tonta.&lt;br /&gt;- Calculo que sim, fui uma queda feia. A sua sorte é que estava mesmo a passar por aqui. Reparei que ia com pressa.&lt;br /&gt;Já de pé, tento compor-me e tentar olhar de frente para o Homem que me ajudou, sem demostrar o meu embaraço. &lt;br /&gt;- Obrigado por tudo. Eu estou bem. Foi gentil de sua parte, mas tenho de ir agora. – digo eu enquanto vou olhando para o chão e me afastando lentamente. Que vergonha! Vou a correr, tropeço numa pedra e tenho logo de cair em frente a alguém. O pior vai ser o Padrinho. Oh meu Deus, desta vez não me vai perdoar! Tenho a certeza. Penso nisto enquanto me afasto do local da queda deixando o homem perplexo a olhar para mim. Subitamente, num tom de voz insegura oiço:&lt;br /&gt;- Beatriz?&lt;br /&gt;Demoro algum tempo até conseguir raciocinar, mas quando o faço páro imediatamente. O Homem de ontem a noite. Não pode ser! Como me reconheceu ele? Impossível, estava tão escuro...Viro-me para trás. Ele lentamente, tinha começado a andar em minha direcção. Até que chegou e me segurou na mão:&lt;br /&gt;- Eu sabia que eras tu. Desde ontem que não consigo pensar em outra coisa. Por muito que me esforce só consigo trazer a memória instantes da noite de ontem. Por favor, deixa-me acompanhar-te até casa. &lt;br /&gt;Eu não sabia o que dizer. Fiquei parada a olhar para ele. Aquele homem, ali a minha frente a dizer-me tanta coisa. Eu obriguei-me a esquecer aquele encontro atribulado. Nunca imaginei que o voltaria a encontrar. E agora ali estava ele a segurar a minha mão e a pedir-me para me acompanhar ate casa. Estava ali a olhar para mim nos olhos e agora eu conseguia ver como era alto, bonito e como o seu olhar me assustava. Invadia-me a alma de uma forma avassaladora. Sentindo a adrenalina a explodir no meu corpo disse-lhe “ Desculpe-me” e comecei a correr. Tal como ontem, penso eu. Parece que só sei correr. Fugir, fugir, fugir. Sempre fugir. A verdade é que aquele homem, aquele estranho, era muito mais que um estranho e que um homem qualquer. Era uma incógnita, uma onda de sentimentos que me transmitia sempre que estava por perto. Sentia-me fraca, tremia. Sentia o mais intimo de mim invadido por aqueles olhos castanhos que brilhavam devido ao reflexo da luz pálida da rua. &lt;br /&gt; Cheguei a estalagem. Por sorte o Padrinho não estava por perto. A pobre Julieta já estava em cuidados, mas felizmente ninguém tinha dado por minha falta. A estalagem estava cheia como sempre. Muitos homens, muito vinho e muitas historias lançadas para o meio da mesa. Historias da vida e do Mundo que eram embaladas pelo calor que a lareira expelia. Eu comecei a trabalhar, como todas as noites a servir vinho de mesa em mesa. Era bom, podia ouvir as noticias do dia e os acontecimentos mais recentes, mas por outro lado tinha de ouvir também comentários que não queria e, quando o Padrinho Miguel me dizia, subir as escadas até ao andar dos quartos com um freguês que lhe tinha pago os meus serviços adiantadamente. Entre o meu rodopio por entre as mesas e os bancos corridos da estalagem reparo na porta. Vem alguém a entrar. Quando olho melhor nem quero acreditar. É ele! Aquele com quem me cruzei há pouco, o Ricardo, suponho eu, vem a entrar e eu ali. Corro para a cozinha.&lt;br /&gt; - Julieta, deixa-me ficar por aqui, por favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111680053923629590?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111680053923629590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111680053923629590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111680053923629590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111680053923629590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/05/ela-ii.html' title='Ela II'/><author><name>Amélia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13243167389824277384</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111608754854593611</id><published>2005-05-14T17:04:00.000+01:00</published><updated>2005-05-20T17:22:41.940+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Acordo com o barulho da Sofia no quarto ao lado. Passa a vida a cantar. Como odeio a sua inocência.&lt;br /&gt;Tudo não passa de jogos e pequenas brincadeiras. Eu é que acabo de ter de me preocupar com tudo, e se lhe falo nem me ouve.&lt;br /&gt;Levanto-me e enquanto me lavo olho o tempo pela janela. Visto as minhas roupas. Tenho que dizer à maezinha que me compre umas novas, já não tenho idade para andar com estas roupas de criança. Desço as escadas e sento-me no sofá à espera do resto da familia para tomar o pequeno almoço. Já só me falta um ano para ser adulto, e então poderei ajudar o meu pai nos negócios. Serei o seu assistente pessoal, para tudo que precise.&lt;br /&gt;Como por invocação surge o meu pai sempre bem-disposto, com um artigo na mão. Senta-se à mesa sem reparar em mim.&lt;br /&gt;-Bons dias meu pai! Como se sente hoje?&lt;br /&gt;-Positivamente bem!-a sua alegria é contagiante.&lt;br /&gt;Sento-me à mesa e Sofia não tarda em aparecer. Corre a meu pai para o beijar e lança-me uma careta. No seu jeito infantil começa a brincar com os talheres enquanto esperamos por minha mãe.&lt;br /&gt;Hoje tenho que a aturar mais do que é habitual. Ao contrário do habitual não suporto o fim-de-semana muito por culpa dela. Mas apendi já a lidar com a sua imaturidade, e felizmente sou-lhe superior.&lt;br /&gt;A minha mãe chega com o ar pálido de sempre e faz soar a campainha frágil. Josefa prontamente&lt;br /&gt;começa a servir  o meu pai bem como os restantes. Comemos no silêncio habitual com o meu pai sempre absorto nos seus problemas. Por muito mau que sejam sonho em ter esses problemas. A minha vida inútil não passa de aprender velhos cadernos puídos cheios de um mundo que nunca verei. Também não o anseio. Quero mundo real a fervilhar de problemas, sem clarins a anunciar cada boa estocada. Quero um mundo cravejado de inquietações onde possa usar as minhas capacidades para tudo resolver.&lt;br /&gt;-Paizinho, podemos ir passear no jardim público?&lt;br /&gt;Olho imediatamente para meu pai na esperança que ele cumpra os meus desejos, mas ele responde com um vago sim para grande alarido da minha irmã.&lt;br /&gt;Saio de casa farto de esperar minha irmã. Vejo aproximar-se o sujeito que mais desdenho na nossa vila. Vem na direcção da nossa casa. Sinto o desprezo a crescer no meu estômago à medida que ele se aproxima.  Encontra-se à porta com minha irmã e ela sorrie-lhe inocente. A minha vontade agora era segui-lo e saber o que o traz de novo a nossa casa. Enquanto Sofia corre em saltos animados penso numa maneira de descobrir o mistério do estalajadeiro. Não demorará muito a ser desvendado, disso tenho a certeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111608754854593611?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111608754854593611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111608754854593611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111608754854593611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111608754854593611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/05/acordo-com-o-barulho-da-sofia-no.html' title=''/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111608572167786134</id><published>2005-05-14T16:48:00.000+01:00</published><updated>2005-05-14T17:01:24.653+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje sinto-me particularmente feliz. O negócio não vai bem, lá isso é verdade, mas já a minha mãezinha dizia não há nada melhor que um dia depois do outro. Por isso, estou com muita vontade de agarrar esta alegria para tentar resolver os meus problemas.&lt;br /&gt;Sai da estalagem vestido com determinação e fui até a casa do Dr. Medeiros. Se havia alma que me podia ajudar, era ele e isso eu sabia-o muitíssimo bem. O Dr. Medeiros é o médico mais famoso da cidade. A sua popularidade deve-se não só ao facto de ser o único médico das redondezas, mas também ao estilo de vida que leva paralelamente as pomadas para as infecções e aos xaropes de hortelã que receita. Ele é, digamos, um apreciador da noite, da boa vida, do bom vinho e das boas mulheres, mas fá-lo com descrição. Mesmo assim, apenas algumas pessoas conhecem este homem verdadeiramente, e uma delas sou eu. Vou-me rindo enquanto penso no que sei. Ás vezes um criado tem mais poder nas mãos que o seu senhor. Eu tenho sorte de ter saído ao meu pai no que diz respeito a negócios. O meu pai vendia água-ardente rasca, de vila em vila, clamando com todo o seu teatralismo de que se tratava da cura para todos os males. Eu também sou assim. Uso o meu discurso macio, mostro-me pronto a obedecer, mas quando menos esperam, faço com que se deixem levar pela minha conversa, tal como o meu pai fazia.&lt;br /&gt;Chego a porta da casa do Dr. Medeiros e verifico que dela vai a sair a mais nova dos seus dois filhos:&lt;br /&gt;- Menina Sofia, bons olhos a vejam.&lt;br /&gt;- Bons dias Sr. Miguel. Está muito bem disposto hoje. A que se deve tamanha felicidade.&lt;br /&gt;- Oh minha Senhorita, lamento informar-lhe mas não é de sua conta. Mas não fique triste, chegue cá que conto-lhe um segredo. Estou assim porque hoje está muito bonita.&lt;br /&gt;- Sr. Miguel, deixe-se de tolices que já tem idade para ter juízo.&lt;br /&gt;Disse-me ela enquanto corava.&lt;br /&gt;- Bem, se veio falar com meu pai, entre, entre…que ele está lá dentro. Agora eu, vai ter de me desculpar, mas o meu irmão está já ali a minha espera. Vamos dar um passeio até ao jardim. Aproveitar a linda manhã.&lt;br /&gt;- Pois faz nada mais que bem menina. Até logo.&lt;br /&gt;Enquanto dizia isto a Menina Sofia fez uma ligeira vénia e dirigiu-se para o irmão que já me olhava com ar desconfiado. Bati a porta da casa dos Medeiros e fui entrando. A Sra. Silvinha, mulher amargurada do Dr. Medeiros, veio rapidamente a meu encontro. Ela não tinha muito apreço pela minha pessoa devido ao que eu fazia para viver, mas também estava informada que eu mantinha negócios com o seu marido, e a este, ela não se atrevia a contradizer.&lt;br /&gt;- Sr. Miguel. Veio cedo hoje. Por aqui, por favor. O meu marido está na biblioteca.&lt;br /&gt;Acompanhei-a. Como era grande aquela casa. Salas e saletas, e mais quartos e candeeiros de cristal. Uma bela casa, sim senhor. Nunca me cansava de a olhar. Enquanto o faço vamos andando até a biblioteca. A Sra. Silvinha bate à porta, eu entro, e ela afasta-se e deixa-nos a sós.&lt;br /&gt;- Sr. Miguel, ora como tem passado amigo?&lt;br /&gt;- Muito bem Sr. Medeiros. Hoje então, acordei naqueles dias, sabe?&lt;br /&gt;- Se quer que lhe fale a verdade, não sei muito bem o que quer dizer, mas fico feliz por si.&lt;br /&gt;Rimo-nos os dois com cumplicidade. Ele oferece-me bebida, que recuso, e sentamo-nos afastados.&lt;br /&gt;- Pois diga o que o trás por cá desta vez?&lt;br /&gt;- Sabe como é…estou numa situação difícil, uma vez que tenho de administrar a sua estalagem e as vezes o que generosamente me dá, não chega para as despesas.&lt;br /&gt;- Humm… mas este mês já é a segunda vez que cá me aparece a pedir alguma coisa. Agradeço-lhe que tome conta da estalagem por mim, mas como sabe, também é pago para isso, e ultimamente não tem desempenhado o seu papel muito correctamente, pois não?&lt;br /&gt;- Tem razão, mas acredite que não é por falta de esforço. Mesmo ontem, houve briga. Partiram-me duas cadeiras e umas quantas garrafas. Foi algum prejuízo, mas nada que o Sr. Doutor não possa remediar.&lt;br /&gt;- A questão, Sr. Miguel, é que não me agrada a forma como me vem pedir tantas vezes dinheiro.&lt;br /&gt;- Doutor, tenha calma, pense nisto como um investimento. È muito melhor desta maneira, do que eu ter de ir embora, fechar a estalagem e toda a gente ficar a saber que ela é sua, e eu só a administrava para si.&lt;br /&gt;Este meu ultima argumento, atingiu-o bem no fundo. Por dento eu sorria, porque tinha a certeza que depois do que disse, tudo ia correr como eu queria. Ele levantou-se da cadeira e foi até a gaveta da sua secretária. Aí sim, tive a confirmação da minha excelência. Bravo para mim. Bravo, bravo, bravo. Enquanto o Medeiros me entregava as moedas, pensava que, se ainda me sobrasse juventude, um dia iria dedicar-me ao teatro, afinal, sou um artista comprovado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai da casa do médico. Quanto à Sra. Silvinha, essa nem a vi. Também não interessa, não passa de uma velha amuada. Enquanto pensava no que fazer com o dinheiro que me iria sobrar, vi a Clara. Aquela fedelha só me dá trabalho. Ontem saiu sem dizer nada a ninguém. Mas ela já vai ver como é. Afinal quem é que manda na estalagem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111608572167786134?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111608572167786134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111608572167786134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111608572167786134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111608572167786134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/05/hoje-sinto-me-particularmente-feliz.html' title=''/><author><name>Amélia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13243167389824277384</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111602378644641208</id><published>2005-05-13T23:35:00.000+01:00</published><updated>2005-05-13T23:36:26.456+01:00</updated><title type='text'>Ela I</title><content type='html'>“A vida escolheu-me.” Penso nisto enquanto vagueio pelas ruas perdida em mim mesma. Penso na minha pouca sorte e na minha pouca fé. Nunca conheci os meus pais. Na verdade nunca conheci ninguém, nem mesmo a pessoa que se esconde dentro de mim. Aprendi desde cedo a resistir sozinha. Quando era pequena ainda sonhava. Era pura, sincera e apesar de não ter nada arranjava tudo só com a minha vontade de viver. Corria pelos becos mais sombrios e dava beijinhos as lavadeiras que me retribuíam com versos em minha honra e gargalhadas. O tempo foi passando e com ele instaurou-se a necessidade de pedir esmola à porta da Igreja todos os domingos. Era o único sítio onde se colhiam migalhas que as senhoras finas atiravam para o chão, na tentativa de salvar os pecados da carne. Agora já não tenho de ir ao domingo para a escadaria. Prometi a mim mesma que nunca mais imploraria aos pés de ninguém por uma moeda para ter que comer. Saiu-me caro o orgulho, pois para o sustentar tornei-me meretriz. Não fui eu que o escolhi, foi a vida que o escolheu por mim. Assim, todas as noites encontram-me homens velhos, porcos e famintos que vão até a estalagem onde, a muito custo, negociei um lugar para dormir todas as noites. Lá, procuram o que não têm em casa. Com umas poucas moedas de prata bebem vinho até o corpo não suportar mais e riem-se alto, tão alto que quase parece sinistro. Eu não passo de um produto que com cara de enterro, faz o que lhe é destinado sem nunca pensar, caso contrario tornar-se-ia insuportável.&lt;br /&gt;Era tarde e fazia frio. Saí da estalagem cedo demais devido a uma briga que dois homens iniciaram por causa de uma desavença qualquer. Com medo do que poderia resultar dali, fugi escondida e agora deambulo no escuro. Avanço devagar pela rua calcetada e cheia de poças. O som do meu andar lento e pesado, como a minha alma, vai-se dissipando por entre a luz ténue dos candeeiros que iluminam o caminho. Não tenho pressa. Também não tenho para onde ir. Oiço um barulho e levanto a cabeça inconscientemente. Dois rapazes, pouco mais velhos do que eu e visivelmente embriagados, vão no sentido oposto, abraçados um ao outro para não se desequilibrarem. Passo por eles tentando não chamar a atenção, mas felizmente, nem me conseguem sentir de tão absorvidos que vão. Continuo o meu caminho. O vento agora tornou-se mais frio e por isso ponho o capuz da capa já velha e rasgada que trago vestida. Vou bafejando as mãos na tentativa de as manter quentes mas desisto. Se querem gelar até se tornarem cristal, que gelem! Acelero o passo e sinto o ar cortar-me a pele. Este penetra-me de tal forma que abre espaço para que uma angústia feroz me vá invadindo o pensamento. Subitamente oiço passos ao longe que me despertam da minha consumição. Escondo-me no escuro que a luz amarela que paira no ar não alcança. Observo sem fazer barulho. Até as minhas pulsações se calaram para não me denunciarem. O meu coração retraiu-se e bate depressa mas silenciosamente. Ao longe avisto um homem. Está sentado virado para o rio. Pelo que forço os meus olhos a ver, e pela postura que adopta ao sentar-se, aposto que deve ser de famílias abastadas. Como invejo a sua calma. Como invejo a sua descontracção. Como o invejo todo ele. Uma lágrima tenta saltar-me dos olhos, mas rapidamente a limpo para impedir que outras a sigam. Dou um passo para trás e no instante em que o meu corpo se impulsiona para voltar para a estalagem, surge-me a ideia: e se eu me fosse sentar ao lado dele? Poderia fingir que nos conhecíamos e que pertencíamos ao mesmo mundo. Poderia, por um instante, voltar aos dias de criança e sonhar acordada. Só um bocadinho. A ideia faz-me caminhar na sua direcção. A medida que me vou aproximando reparo que está a fumar. Isso cria uma nuvem esbranquiçada em seu redor e deixa escapar um cheiro diferente do que os homens têm na estalagem. Sento-me ao seu lado. Instantaneamente sou levada como por artes magicas para um outro lugar. Já não me sinto sozinha. Fico ali a olhar para o rio e sem que ele se aperceba vou-me chegando para lhe sentir melhor o cheiro. Quando dou por mim já o estou a tocar. Ele reparou e eu corei. O instinto faz com que eu me tente justificar. Digo-lhe que estou com frio. Pela reacção dele posso ver que não estava a espera que lhe dirigisse a palavra, mas mesmo assim responde-me com um início de conversa casual. Digo-lhe então para simplesmente fingirmos que já nos conhecemos na esperança de poder continuar o meu pequeno sonho. Para aumentar a fantasia, afirmo-lhe que me chamo Beatriz. Porque não? É nome de senhora fina e é assim que me sinto agora.  Continuamos a conversar. Como é estanho este homem. Pensa de forma estranha. Diz-me que hoje se chama Ricardo simplesmente porque lhe apetece que assim seja. Silencio as minhas falas. A liberdade que ele transmite ao falar e ao dizer que cada um se pode chamar como quiser faz-me pensar muito. Principalmente porque eu mesma lhe disse que tinha um nome que na realidade não é meu. Fiz o que ele me fez, mas não com a mesma intenção. Sem eu estar a espera, ele fala sobre o rio e como gosta dele. Repentinamente um raio abate-se sobre mim. Que estou eu a fazer aqui? Levanto-me bruscamente. Não está certo viver algo que não me pertence. Nem está certo ser quem não sou. Assim, sem lhe dizer nada afasto-me apressadamente arrependida por me ter deixado iludir. Uma rajada de vento vem contra mim e afasta-me o capuz enquanto caminho. Volto a coloca-lo e começo a correr. Sinto muito frio e as minhas pernas já me doem, mas insisto um pouco mais, pelo menos até chegar a estalagem. As lágrimas que há tempo atrás tinha retido, começam então a escorrer-me pela face fria. Dou o que resta de mim à corrida e finalmente, após virar a esquina estreita, avisto a estalagem. Alguns fregueses ainda estão lá dentro. Bêbados resmungam consigo mesmo coisas que não quero entender. Passo a correr. Sinto uma mão agarrar-me o braço com força.&lt;br /&gt;- Onde andaste? Esta noite deste-me prejuízo.&lt;br /&gt;Após estas palavras, que nem tempo tenho de assimilar, um embate seco chega a minha cara e caio no chão, tamanha a força que trazia.&lt;br /&gt;- É para aprenderes a não fugir a meio da noite. Tu trabalhas para mim e sem mim não és nada, ouviste fedelha?&lt;br /&gt;Levanto-me a custo, baixo a cabeça, e ele vira-me as costas. Caminho para o canto onde durmo, junto da lareira. Aconchego-me a mim mesma e fecho os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia amanheceu claro. O frio que se fez sentir ontem desapareceu. Levanto-me e lavo a cara. Hoje é dia de mercado e como sempre, sou eu quem faz as compras. Vou ter com o dono da estalagem, o padrinho Miguel, como gosta que lhe chamem:&lt;br /&gt;- Padrinho, hoje é dia de mercado e queria que me desse o dinheiro para as compras.&lt;br /&gt;O padrinho Miguel vai a uma caixa de madeira e tira dela 3 moedas.&lt;br /&gt;- Toma. Comprai-me tudo e desta vez não te esqueças de nada. Depois volta depressa que temos de falar sobre o sucedido de ontem. Agora vai fedelha e deixa-me.&lt;br /&gt;Não lhe disse mais nada e limito-me a sair porta fora. O mercado estava cheio. Como gosto desta multidão destas gentes simples cheias de historias e sabores. O típico apregoar faz lembrar as lavadeiras da minha infância, por isso sempre que saio para o mercado tento demorar muito tempo, para aproveitar tudo até o mais exótico cheiro das especiarias orientais que vendem na banca que avisto agora ao fundo da rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111602378644641208?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111602378644641208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111602378644641208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111602378644641208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111602378644641208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/05/ela-i.html' title='Ela I'/><author><name>Amélia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13243167389824277384</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12873992.post-111600498803349137</id><published>2005-05-13T18:22:00.000+01:00</published><updated>2005-05-13T19:10:24.203+01:00</updated><title type='text'>Ele I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma gota esfria-me a face. A chuva ameaça mas não chove. Enquanto ando sinto o manto pesado da noite negra nos meus ombros. Encaro somente o chão, não quero ver se não o esplendor que me espera. Nas poças de água já abandonada vejo luzes amarelas que me cegam o chão. Só ouço os meus passos e o vento que me sopra das narinas. A ansiedade vai crescendo em mim como numa criança e há medida que chego mais perto vou aumentando o metrónomo no meu peito.&lt;br /&gt;A certo ponto o coração dispara num estrondo e a adrenalina irrompe nas minhas veias. Apetece-me correr, apanhar cada pedaço de ar, correr, chegar por fim ao meu destino. Mas não corro, deixo que toda a ansiedade fermente para que no destino me possa alimentar dela. Já não falta muito. O suor cobre-me já o rosto. Sinto-me tonto de mascar ar sem engolir. As minhas pernas irrompem em chamas, o mundo começa a rodar, sinto-me tão tonto que tenho que levantar a cabeça.&lt;br /&gt;Ai está ele, fluindo negro, polvilhado de candeeiros laranjas. Estaco e ouço as pequenas conversas com a margem. Aproximo-me sem tirar os olhos do negro que corre. Encontro o pousio e sento-me. Sorrio-lhe então e cumprimento-o com verdadeira amizade. O Douro responde-me com o eterno sussurrar, mas que me fala mais que palavras.&lt;br /&gt;Venho de mãos vazias, nada lhe trago a não ser o que me povoa. Abro um garrafa de Vinho do Porto e faço-a cantar para o meu copo. Pouso o copo com um tinido e abro então a cigarreira metálica e retiro uma barra castanha. Acendo a cigarrilha e deixo que o cheiro me invada as narinas. O sabor amargo instala-se na lingua e combato-o com um doce gole do néctar vermelho. Deixo que os dois sabores se encontrem enquanto medito sobremim. A ansiedade transformou-se já em melancolia e tomo-a sofregamente. O momento solitário e belo, repleto de magia e unicidade.&lt;br /&gt;Um rumor vindo de trás faz desaparecer o vinho e a cigarrilha, mas nem viro a cabeça. O rumor vai crescendo e ouço nitidamente o clamor das pedras esmagadas por sapatos pesados. O halo aparece primeiro imediatamente seguido de uma figura de capuz. Só vejo uma silhueta preta na parca luminosidade. Senta-se a meu lado, mas a alguma distância. O medo não vem porque nem penso nele, estranhamente sinto-me seguro. Olho pela canto do olho e vejo uma mão nitidamente feminina a pousar-se sobre os joelhos.&lt;br /&gt;Escondo-me da vigia rodo a cabeça e observo com detalhe a mão. Nunca me impressionei por mãos, são meros apêndices, criados para cumprir ordens, as obreiras da razão. Mas estas sorriem-me. Brancas, alvas contra o fundo negro, esfíngicas guardam o charme numa imobilidade graciosa.&lt;br /&gt;-Tenho frio.- o meu coração irrompe de surpresa com a voz que me atinge. Recuo para o interior da minha casca amedrontado.&lt;br /&gt;Quando o silêncio volta a reinar eu saio lentamente para a noite. Faz frio. Na solidão estava bem a ouvir o rio lamentar-se, mas agora algo me puxa a garganta, silêncio torna-se insuportável e preciso de falar. Mas nada sei dizer.&lt;br /&gt;Deixo escapar um «Olá». Ridiculo, uma idiotice. Não haveria algo mais inteligente para dizer do que um "olá"? Para meu alívio uma resposta surge.&lt;br /&gt;-Não sei um nome para te dar, mas podemos fingir que já nos apresentamos e continuar...&lt;br /&gt;-Continuar? pergunto ainda entorpecido pelo medo.&lt;br /&gt;-Não gosto deste sítio. Olhar o rio faz-me querer partir. Faz-me pensar com seria fácil.&lt;br /&gt;-Porque não o fazes?&lt;br /&gt;-Talvez me chame Beatriz , mas ainda não sei. Talvez me chame Bia.&lt;br /&gt;Viro de novo a cara ao seu encontro, tento traçar um perfil através do pano escuro.&lt;br /&gt;-Não foste tu que te baptizaste, ou sequer escolheste que te chamassem josé, antónio, manel.Tudo porque não és tu que te chamas.&lt;br /&gt;Sorrio e respondo a frase que tantas vezes me repeti.&lt;br /&gt;-Mas podes dar-te nome, escolher um diferente todos os dias, mudá-lo conforme a tua disposição. É o teu nome não o que te chamam. Hoje chamo-me Ricardo.&lt;br /&gt;O silêncio responde-me pesadamente. Estiquei-me demais sem testar a segurança primeiro, consigo ver a respiração plena de raiva a diluir-se no ar.&lt;br /&gt;-Gosto deste sitio, tento eu amenizar, Só aqui eu sou verdadeiramente, aqui quando o rio me falo, o ar negro me ouve os lamentos e ninguém faz menos de mim.&lt;br /&gt;Num segundo o vulto levanta-se e apressa-se a ir embora. O vento irritado com a isolência descobre-lhe a cabeça e vejo o negro dos cabelos a esvoaçar irritados. Já vai longe agora. Mas sei que voltará.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12873992-111600498803349137?l=encontrosnocturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/feeds/111600498803349137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12873992&amp;postID=111600498803349137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111600498803349137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12873992/posts/default/111600498803349137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrosnocturnos.blogspot.com/2005/05/ele-i.html' title='Ele I'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
